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O risco da verificação biométrica para obter criptomoedas

Camila Pires
Última atualização: 20 de janeiro de 2025 15:41
Camila Pires
Tempo: 2 min.

Em São Paulo, diversas pessoas têm se reunido em pontos de verificação para realizar o escaneamento da íris, um procedimento que promete recompensar os participantes com criptomoedas, como a Worldcoin. Por trás dessa iniciativa está a empresa Tools for Humanity, responsável pelo desenvolvimento do projeto World ID, que utiliza os dados biométricos, como a íris, para autenticar usuários e garantir que são seres humanos reais, não robôs. Contudo, muitos participantes não entendem a fundo o propósito dessa coleta de dados, sendo motivados principalmente pela compensação financeira que varia entre R$ 200 e R$ 450.

A coleta da íris é realizada por meio de um dispositivo chamado Orb, que captura a imagem da retina e a transforma em um código único, que seria criptografado e anonimizado. A empresa garante que os dados não são armazenados de forma identificável e que a privacidade dos participantes é preservada. No entanto, especialistas em proteção de dados e privacidade expressam preocupações sobre os riscos envolvidos, como a exploração de populações vulneráveis e a falta de transparência quanto ao uso dos dados coletados. Além disso, o fato de as pessoas estarem sendo pagas por fornecerem seus dados biométricos levanta questões sobre o consentimento qualificado e se o pagamento pode ser visto como uma forma de coerção.

As autoridades brasileiras, como a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), estão investigando o projeto para garantir que as práticas da empresa estejam em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Embora a Tools for Humanity afirme que o sistema protege a privacidade dos usuários e busca combater fraudes digitais, os riscos de vazamento de informações sensíveis e o uso indevido dessas tecnologias geram receios sobre o futuro da coleta de dados biométricos. A situação ainda está sendo acompanhada pelas autoridades, que buscam entender melhor os impactos dessa prática no contexto da era digital e da inteligência artificial.

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