Em meio ao conflito entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e senadores insatisfeitos com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, integrantes da Corte acreditam que o Centrão poderá servir como um obstáculo a eventuais processos de impeachment contra os magistrados. Embora careçam de uma identidade programática clara, muitos senadores do Centrão demonstram relutância em desafiar diretamente o STF, que é responsável por julgar acusações contra eles. Atualmente, há mais de 50 pedidos de impeachment contra juízes do STF, com Alexandre de Moraes sendo o alvo mais frequente das críticas.
A análise dos ministros do STF sugere que, por instinto de sobrevivência política, os membros do Centrão podem preferir evitar confrontos diretos com a Corte. Recentemente, pelo menos 12 senadores do Centrão apoiaram um pedido de destituição contra Moraes, mas a percepção é que esses políticos já desempenharam papéis cruciais em momentos de tensão, como na contenção das ambições golpistas de Bolsonaro. Além disso, articulações recentes indicam que parte desses parlamentares está alinhada com o tribunal, especialmente em relação à anistia a condenados por golpe de Estado.
Outro ponto relevante é a ação protocolada pelo partido Solidariedade, que questiona a constitucionalidade da lei que permite processos de impeachment contra ministros do STF. De acordo com essa legenda, tais processos deveriam ser iniciados apenas com uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), e não por qualquer cidadão, como prevê a legislação atual. Essa situação ressalta a fragilidade do cenário político e judicial no Brasil, onde os pedidos de impeachment se acumulam e as tensões entre os poderes permanecem elevadas.


