A Comissão Externa do Feminicídio da Câmara dos Deputados esteve em Bagé, na região da Campanha, no Rio Grande do Sul, na última sexta-feira (26), para discutir o aumento dos casos de feminicídio no município. Em 2024, três mulheres foram assassinadas na cidade, número expressivo considerando sua população de pouco mais de 127 mil habitantes. O encontro reuniu parlamentares, movimentos sociais e entidades representativas, que prestaram homenagens às vítimas e cobraram políticas públicas eficazes.
A presidente da comissão, deputada federal Fernanda Melchionna (Psol-RS), destacou a gravidade da situação no estado e a necessidade de avançar além da Lei Maria da Penha, que já tem 19 anos. Ela citou casos recentes de violência extrema contra mulheres no Rio Grande do Sul para evidenciar a urgência da pauta. Melchionna enfatizou que o Estado não pode se omitir diante do ciclo da violência e defendeu a ampliação de delegacias especializadas e políticas públicas estruturadas para garantir a proteção das mulheres.
A relatora da comissão, deputada Maria do Rosário (PT-RS), anunciou que um relatório será apresentado em novembro com recomendações para fortalecer a rede de proteção, incluindo atendimento a mulheres negras, indígenas, idosas e com deficiência, além de apoio às crianças órfãs do feminicídio. Representantes do Fórum Municipal das Mulheres também destacaram a necessidade de maior estruturação da Delegacia da Mulher em Bagé e criticaram a lentidão do Judiciário local. A mobilização visa pressionar por um pacto nacional que una União, estados e municípios na proteção integral das mulheres.

