A defesa do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), negou nesta terça-feira (2) que o parlamentar tenha atuado na elaboração de mensagens para desacreditar o sistema eletrônico de votação. Segundo o advogado Paulo Renato Garcia Cintra, os documentos encontrados durante a investigação — identificados como presidente.docx e presidenteinformatse.docx — seriam apenas anotações pessoais de Ramagem, que costumava registrar ideias em uma “espécie de diário”. A defesa enfatizou que não há provas de que esses textos tenham sido entregues ao então presidente Jair Bolsonaro.
O julgamento em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a denúncia contra o chamado “núcleo crucial” da suposta trama golpista, que teria buscado articular medidas para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a eleição de 2022. Além de Ramagem, outros réus incluem figuras proeminentes como Jair Bolsonaro e ex-ministros do governo. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, apresentou um relatório detalhado das investigações, e o julgamento terá sessões extraordinárias até 12 de setembro.
As acusações contra Ramagem e os demais réus incluem organização criminosa armada e tentativa de golpe de Estado. Embora parte das acusações contra Ramagem tenha sido suspensa pela Câmara dos Deputados, a situação continua a gerar repercussões significativas no cenário político brasileiro. A defesa insiste na inocência de Ramagem, alegando que os documentos não têm relação direta com a articulação da suposta trama golpista.

