O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou desaceleração no segundo trimestre de 2025, com um crescimento de 0,4%, levemente acima da expectativa de 0,3%. Essa desaceleração é atribuída à política monetária contracionista, que mantém a taxa de juros em 15% ao ano, e ao impacto da tarifa extra de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O Ministério da Fazenda já revisou suas projeções, indicando um viés de baixa para o crescimento do PIB, que deve ficar entre 2,2% e 2,5% no consolidado do ano.
Os dados divulgados pelo IBGE revelam que o setor agropecuário, que havia crescido 12,3% no trimestre anterior, agora apresenta uma leve retração de 0,1%. Além disso, a construção civil e a indústria de transformação estão sendo severamente impactadas pela alta dos juros e pelas condições financeiras restritivas. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) destaca que a formação bruta de capital fixo caiu 2,2%, marcando a primeira queda desde o terceiro trimestre de 2023.
As expectativas para o futuro permanecem cautelosas. Economistas como Natalia Victal e Rafael Perez alertam que a combinação de juros altos e incertezas globais deve continuar limitando os investimentos e dificultando o crescimento econômico. A Fiesp projeta um PIB de 2,4% para 2025 e uma desaceleração ainda mais acentuada em 2026. O Banco Central pode iniciar cortes na taxa Selic apenas em janeiro de 2026, com uma projeção de 11% ao final daquele ano.


