O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira que há “excesso de provas” sobre um plano de assassinato contra ele, supostamente articulado por um grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em seu voto, Moraes mencionou o plano denominado Punhal Verde e Amarelo, que visava não apenas sua eliminação, mas também a do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin. O general Mário Fernandes, ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência, teria apresentado o plano a Bolsonaro e ao tenente-coronel Mauro Cid, com a intenção de neutralizar as autoridades antes da diplomação de Lula.
Moraes destacou que o plano foi impresso em três cópias nas dependências do Palácio do Planalto e que sua análise e aprovação ocorreram sob a supervisão de Bolsonaro. Ele argumentou que as conversas entre Fernandes e Cid confirmam a autorização do ex-presidente para a execução do plano pelos militares conhecidos como “kids pretos”. O ministro também afastou alegações de suspeição, afirmando que a ameaça a um juiz não o torna parcial em suas decisões. Para Moraes, o verdadeiro alvo da ação é o Estado brasileiro, caracterizando-a como um ato executivo para um golpe de Estado.
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado está em andamento na 1ª Turma do STF. A expectativa é que o processo seja concluído até sexta-feira, com discussões sobre as penas a serem aplicadas. Se condenado, Bolsonaro poderá enfrentar uma pena mínima de 12 anos e máxima de 43 anos, com cumprimento em uma sala especial na Papuda ou na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.


