O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gustavo Augusto Freitas de Lima, declarou que a moratória da soja — acordo que impede a compra de soja cultivada em áreas desmatadas — pode servir como um instrumento de coordenação entre concorrentes, já que grandes empresas do setor se reúnem sem protocolos antitruste. O tribunal do Cade deve julgar nesta terça-feira (30) uma medida preventiva relacionada ao caso, que envolve tradings responsáveis por 90% das operações de compra e venda do grão.
Em entrevista ao Poder360, Gustavo Augusto ressaltou que a investigação não coloca em conflito as legislações ambiental e concorrencial, mas evidencia a necessidade de protocolos claros para garantir transparência nos acordos ambientais, sociais e de governança (ESG). Ele destacou a resistência das empresas em adotar tais protocolos e afirmou que o Cade não apoia práticas ilegais, reforçando que as companhias devem se recusar a comprar soja produzida com desmatamento ilegal.
O desdobramento dessa análise pode impactar significativamente o mercado brasileiro de soja e a governança corporativa no agronegócio. Além disso, o caso pode influenciar futuras regulamentações sobre a interação entre políticas ambientais e regras concorrenciais, reforçando a importância da transparência e do cumprimento simultâneo das legislações vigentes.

