Na Alemanha, a resistência contra a diversidade cultural e racial tem sido interpretada como uma estratégia deliberada que se apresenta sob a aparência de neutralidade, conforme análise da escritora e colunista Fatma Aydemir. A coreógrafa Joana Tischkau estreou recentemente no renomado palco HAU, em Berlim, a peça ‘Runnin’’, que aborda a tensão entre o corpo negro e os espaços públicos, questionando se movimentos cotidianos podem ser realmente neutros diante do racismo estrutural.
O espetáculo utiliza o movimento cotidiano — caminhar, sentar, ficar parado — para evidenciar como o corpo racializado é percebido com suspeita e medo, mesmo em ações simples. Essa abordagem revela que o preconceito está enraizado em práticas sociais aparentemente neutras, desafiando a ideia de que a rejeição à diversidade seria apenas um cansaço social ou político. A análise destaca que esse fenômeno não pode ser explicado apenas pelo crescimento da extrema-direita alemã ou pela influência dos Estados Unidos.
Aydemir chama atenção para a necessidade de autocrítica entre os progressistas das artes e da cultura, que muitas vezes negligenciam suas próprias limitações diante do racismo estrutural. O debate sugere que a luta contra a exclusão racial na Alemanha requer reconhecer estratégias sutis que mascaram preconceitos e perpetuam desigualdades, impactando diretamente as dinâmicas sociais e culturais do país.

