Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama, declarou que aguardar a COP30 para conceder licença de operação à Petrobras na Margem Equatorial seria uma manifestação de hipocrisia. A conferência está marcada para novembro em Belém do Pará, enquanto a licença foi aprovada em 20 de outubro para a perfuração de um poço exploratório em águas profundas no Amapá. Agostinho enfatizou que a decisão foi fundamentada em análises técnicas, não em influências políticas.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Agostinho negou que pressões de autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tenham afetado a decisão do órgão. Ele argumentou que esperar pela COP30 para a aprovação da licença seria um ato de hipocrisia, sugerindo que decisões deveriam ser tomadas independentemente da opinião pública sobre eventos climáticos. O presidente do Ibama também se referiu à prática anterior do governo que segurava informações sobre desmatamento até a véspera de conferências internacionais.
Com a licença emitida, a Petrobras iniciará uma perfuração que deve durar cerca de cinco meses, visando coletar dados geológicos para avaliar a viabilidade econômica da área. Se os resultados forem positivos, o projeto poderá avançar para a implementação de unidades de produção e novas sondagens. Este passo marca uma continuidade na exploração de recursos naturais em áreas sensíveis, levantando discussões sobre a sustentabilidade e a preservação ambiental no Brasil.

