Recentemente, a temporada primavera-verão 2026 das principais semanas de moda reafirmou a magreza como o padrão predominante, com 97,1% dos 9.038 looks apresentados nos desfiles de Nova York, Londres, Milão e Paris pertencendo a tamanhos entre 32 e 36. O retorno a esses padrões estreitos levanta preocupações sobre o esvaziamento do discurso de inclusão corporal que ganhou força nos últimos anos, especialmente a partir de 2010, com o movimento body positive.
A pesquisa revela que apenas 2% das modelos eram de tamanhos entre 38 e 42, e menos de 1% eram plus size, o que demonstra uma clara desconexão entre o que é exibido nas passarelas e o perfil do consumidor. Muitos compradores expressam descontentamento com o ajuste das roupas, o que indica que a indústria ainda não se adaptou às demandas por maior diversidade e conforto. Isso sugere uma resistência estrutural em mudar a produção de moda e os padrões impostos pelas marcas.
Com a magreza novamente em alta, a inclusão corporal parece ter se tornado apenas uma retórica publicitária, enquanto a realidade dos corpos diversos é empurrada para a margem. Este cenário pode ter implicações profundas no consumo e na percepção pública da moda, além de reforçar a exclusão como norma. O retorno a padrões estéticos antigos não apenas ignora a diversidade existente, mas também pode impactar negativamente a saúde mental dos consumidores que se sentem pressionados a se encaixar em moldes cada vez mais restritivos.

