Um tribunal de Pietermaritzburg, na África do Sul, concluiu que Albert Luthuli, ex-líder do Congresso Nacional Africano (CNA) e vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1960, foi vítima de homicídio em 1967. A decisão, divulgada nesta quinta-feira (30), contradiz a versão oficial que atribuía sua morte a um acidente ferroviário. Luthuli faleceu em 21 de julho daquele ano, supostamente atropelado por um trem, uma narrativa contestada por seus familiares e apoiadores ao longo dos anos.
A investigação sobre as circunstâncias da morte de Luthuli foi reaberta em abril, em um contexto de reexame das violências políticas durante o regime do Apartheid. O tribunal determinou que sua morte foi causada por uma agressão realizada por policiais do regime, que atuaram de forma coordenada com funcionários da companhia ferroviária sul-africana. O CNA, partido que Luthuli liderou durante anos, comemorou a decisão como um reconhecimento de uma injustiça histórica.
O neto de Luthuli expressou alegria com o veredicto, e a família considera o julgamento um passo importante para corrigir o relato histórico sobre a morte de seu antepassado. Este caso ressalta a necessidade de continuar a investigar as violações de direitos humanos ocorridas durante o Apartheid, um período marcado por repressão e injustiças. A nova avaliação dos fatos pode contribuir para um entendimento mais completo da história da África do Sul e das lutas enfrentadas por aqueles que se opuseram ao regime segregacionista.


