Ativistas do movimento negro destacam que, apesar de alguns avanços em políticas públicas, como as cotas raciais e a demarcação de territórios quilombolas, a igualdade racial no Brasil permanece um objetivo distante. Em declarações à Agência Brasil, a assessora do Instituto de Estudos Socioeconômicos, Carmela Zigoni, aponta para o aumento da violência racial e a resistência de grupos que negam a existência do racismo, como evidenciado pela invasão de uma escola no Butantã, em São Paulo, por policiais. Este incidente gerou repúdio entre parlamentares e entidades que defendem os direitos humanos.
Carmela destaca que, embora o governo atual tenha retomado a política de igualdade racial no plano plurianual, a sociedade ainda enfrenta retrocessos. A mudança de um governo conservador para um mais democrático parece ter melhorado o ambiente para a população negra, mas segundo a ativista de direitos humanos Lúcia Xavier, isso não se traduz em avanços concretos. A persistente desigualdade e a violência policial continuam a ser grandes obstáculos para a população negra, que ainda luta por direitos básicos e oportunidades justas.
Por outro lado, a coordenadora da Revista Afirmativa, Alane Reis, enfatiza as conquistas da luta pela igualdade racial, mesmo que ainda haja um longo caminho a percorrer. A promoção de políticas afirmativas nas universidades e o reconhecimento dos direitos das populações quilombolas são avanços significativos. Entretanto, Reis alerta que a população negra, especialmente as mulheres, ainda enfrenta enormes dificuldades e desafios em todos os setores da sociedade, refletindo a necessidade urgente de políticas mais eficazes e inclusivas.


