Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que aproximadamente 60% dos contratos firmados pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), entre 2021 e 2023, não estão alinhados com a missão do órgão de combater a escassez hídrica no Brasil. Esse período inclui a gestão dos dois últimos presidentes, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, o que torna os achados ainda mais significativos.
A análise da CGU indica que os recursos destinados a ações de combate à seca foram, em grande parte, direcionados a projetos de máquinas e pavimentação, distantes dos objetivos centrais do Dnocs. Essa situação levanta preocupações sobre a alocação de verbas públicas e a transparência nas ações governamentais, especialmente em um país que enfrenta crises hídricas recorrentes.
O desvio de foco nos contratos do Dnocs pode ter implicações severas para a gestão da água no Brasil. A eficácia das políticas públicas para a mitigação da seca é agora questionada, o que pode gerar pressões por reformas administrativas e uma revisão das prioridades do governo em relação ao tema hídrico. A sociedade civil e os órgãos responsáveis poderão exigir maior accountability e planejamento em futuras intervenções.

