Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará desenvolveram um biotecido inovador, utilizando pele de tilápia para tratar lesões oculares em cães. Essa técnica visa acelerar a recuperação de úlceras e feridas na córnea, uma condição que frequentemente leva à perda de visão em animais de estimação. De acordo com a veterinária Mirza Melo, mais de 400 cães já foram beneficiados pelo tratamento.
O Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC constatou que a pele de tilápia, rica em colágeno tipo I, possui propriedades ideais para cicatrização. Após um rigoroso processo de transformação, essa pele se torna uma membrana fina e segura, utilizada como enxerto durante as cirurgias oculares. A membrana é aplicada diretamente na córnea lesionada e libera colágeno gradualmente, reduzindo a dor e evitando complicações.
Além de oferecer uma solução acessível e sustentável, o biotecido nacional fortalece a autonomia tecnológica do Brasil, que atualmente depende de membranas biológicas importadas, mais caras e de difícil acesso. Essa inovação não apenas amplia a presença do país no setor de saúde animal, mas também abre novas possibilidades para aplicações terapêuticas. O desenvolvimento de biomateriais no Brasil pode representar um avanço significativo no cuidado veterinário.


