Quatro meses após o anúncio da saída dos Estados Unidos da Unesco, a organização observa uma mudança significativa em sua dinâmica. A China, agora o maior contribuinte da Unesco, tem se posicionado como um ator central, enquanto países do Sul Global, como Brasil e Índia, também começam a ganhar destaque. A saída dos EUA, que se tornará efetiva em 2026, já se reflete na ausência americana em reuniões cruciais, como a recente em Samarcanda.
A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, havia tentado reduzir a dependência financeira dos Estados Unidos, que representavam 20% do orçamento, agora reduzidos a 8%. A nova liderança, sob o egípcio Khaked el Enany, promete buscar novas fontes de financiamento para a organização, que enfrenta uma lacuna de 75 milhões de dólares com a saída americana. A crescente influência da China na Unesco é acompanhada por um fortalecimento das nações do Sul Global, que buscam aumentar sua contribuição e poder de decisão dentro da entidade.
A ausência dos EUA pode permitir uma maior mobilização de recursos por parte de países como Brasil e Índia, alterando os equilíbrios de poder na Unesco. Com a saída americana, a Rússia e seus aliados também buscam expandir sua influência, embora enfrentem desafios devido a sanções internacionais. Assim, a dinâmica da Unesco está em transformação, com novos atores moldando o futuro da organização em um cenário global em mudança.

