Durante a COP30 em Belém, prefeitos e redes internacionais de governos locais buscam transformar as negociações climáticas ao demandar mais poder e financiamento direto para ações imediatas. Organizações como C40 e Global Covenant of Mayors enfatizam que a próxima etapa no combate ao aquecimento global não deve ser apenas sobre negociação, mas sim sobre a implementação efetiva de projetos que já demonstram resultados. Eles argumentam que, apesar de resultados positivos, as cidades enfrentam barreiras institucionais que precisam ser superadas para que possam agir mais rapidamente.
A presidência brasileira reconheceu a importância da pauta urbana, dedicando dias temáticos à discussão de como decisões locais sobre transporte, resíduos e habitação são cruciais para a redução de emissões. A proposta do C40, denominada ‘Yearly Offer of Action’, busca compromissos anuais que priorizam entregas imediatas, destacando a necessidade de um papel mais ativo das cidades na arquitetura do regime climático. A crítica se volta para a estrutura das negociações multilaterais, que muitas vezes não reconhece as capacidades e necessidades locais, limitando a ação das cidades.
As implicações desse movimento incluem uma pressão crescente sobre governos nacionais para que reconheçam e integrem as demandas das cidades nas políticas climáticas. A falta de investimento inicial e estruturas financeiras adequadas continua sendo um desafio, mas iniciativas como a do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostram que é possível financiar ações diretas em nível municipal. A COP30, portanto, representa não apenas uma discussão técnica, mas um chamado à justiça climática, enfatizando que o financiamento direto às cidades do Sul Global é essencial para enfrentar a crise climática de forma eficaz.


