Uma nova pesquisa realizada na Etiópia revelou que duas espécies de ancestrais humanos coexistiram há 3,4 milhões de anos, conforme análise de fósseis conduzida por Yohannes Haile-Selassie, da Universidade Estadual do Arizona. Os fósseis, conhecidos como Burtele Foot, pertencem à espécie Australopithecus deyiremeda, que andava de forma distinta da famosa Australopithecus afarensis, a espécie de Lucy.
Os detalhes revelados pela análise mostraram que A. deyiremeda possuía um dedão opositor e dedos mais longos, indicando habilidades arborícolas superiores. Além disso, ao caminhar ereto, esse hominídeo provavelmente utilizava o segundo dedo para impulsionar o corpo, ao contrário do que ocorre com os humanos modernos. Essa diversidade na locomoção sugere que a bipedalidade evoluiu de formas variadas entre os ancestrais humanos.
A confirmação da coexistência foi corroborada por estudos geológicos que indicam dietas distintas entre as espécies, refletindo adaptações às condições ambientais da época. Para a geocronologista Naomi Levin, entender essas interações é crucial para compreender como os humanos lidaram com mudanças climáticas passadas, oferecendo perspectivas sobre os desafios atuais. As descobertas, publicadas na revista Nature, são significativas para reavaliar a história evolutiva da linhagem humana.

