Pesquisadores arqueológicos decifraram cerca de 5.200 buracos no Monte Sierpe, situado no Vale de Pisco, no sul do Peru. O estudo, publicado na revista Antiquity, sugere que esses buracos, que se estendem por aproximadamente 1,5 quilômetros, foram utilizados como um movimentado mercado por uma civilização pré-inca e, posteriormente, como um método de contabilidade pelos Incas. A análise microbotânica e filmagens aéreas com drones possibilitaram novas interpretações sobre o propósito desses buracos.
O Monte Sierpe, conhecido desde a década de 1930, intrigou pesquisadores devido à falta de registros escritos que expliquem sua função. Hipóteses anteriores variavam entre usos defensivos e práticos, como armazenamento e jardinagem. No entanto, novas evidências indicam que os buracos poderiam ter sido usados para troca de mercadorias entre os povos indígenas, como milho e algodão, o que sugere um sistema econômico complexo, semelhante a uma “planilha Excel” para os Incas.
As investigações continuam a revelar a importância do Monte Sierpe para a compreensão das economias pré-hispânicas. A equipe de pesquisadores avalia a conexão entre os buracos e os sistemas de contabilidade dos Incas, com a esperança de elucidar a forma como tributos eram coletados. As descobertas podem contribuir significativamente para o conhecimento sobre o patrimônio cultural andino, enfatizando a necessidade de incorporar perspectivas indígenas nas narrativas sobre a história local.

