Pesquisas recentes apontam que aves amazônicas podem ter sido empregadas em experimentos de armas biológicas por militares dos Estados Unidos em Belém, Pará, durante o período da Guerra Fria. A historiadora Laura de Oliveira Sangiovanni investiga o Projeto Ecológico Belém, que teria facilitado a captura de aves e seu envio para o acervo do Smithsonian, levantando questões sobre a ética e a legalidade dessas operações.
O Projeto Ecológico Belém, que operou entre 1967 e 1971, é apontado como uma fachada para testes militares. Documentos indicam que mais de 4.400 aves foram coletadas e enviadas ao Smithsonian, sem registros formais de autorização. Essa falta de transparência de um projeto tão abrangente sugere uma cooperação entre instituições científicas e militares, ocultando a verdadeira natureza das pesquisas realizadas na região amazônica.
As implicações dessa investigação são profundas, levantando questões sobre a saúde pública e possíveis surtos epidemiológicos nas comunidades locais. A historiadora continua sua busca por evidências concretas, questionando se as práticas experimentais podem ter deixado marcas duradouras na população. O caso revela a complexa intersecção entre ciência, meio ambiente e política nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

