Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, classificou a taxa Selic de 15% como ‘absurda’ e uniu-se à maioria do mercado financeiro ao prever que o Banco Central não deve iniciar cortes antes de janeiro. Em um comunicado, Mantega sugere que, ao iniciar a redução, o Comitê de Política Monetária deveria implementar cortes mais agressivos, com uma redução de 0,5% ao invés de 0,25%, a fim de compensar a demora na ação.
O economista também destacou que a resistência do Banco Central em cortar os juros está relacionada à recente aprovação de uma nova taxação sobre dividendos, que poderá desencadear uma fuga de dólares ao final do ano. Essa nova legislação, que introduz uma taxa de 10% sobre dividendos distribuídos a estrangeiros, pode impactar as remessas de lucros e dividendos, preocupando o BC quanto à movimentação de capital no país.
Mantega observa que, apesar de uma leve desaceleração na inflação e na economia, o Banco Central ainda não se sente seguro para justificar uma redução imediata da Selic. A situação econômica, combinada com as novas taxações, será um fator determinante para as futuras decisões do BC, especialmente em um cenário de crescente pressão sobre os fluxos de capital internacional.


