A solastalgia é um conceito que describe o sofrimento psicológico ligado à degradação ambiental, revelando o impacto emocional de viver em um território em transformação. Criado pelo filósofo australiano Glenn Albrecht em 2007, o termo ganhou destaque na literatura científica, especialmente após um estudo recente publicado na revista Nature Mental Health, que relaciona a solastalgia a sintomas como irritabilidade e angústia. Este fenômeno tem se tornado cada vez mais comum em comunidades que enfrentam enchentes, secas e incêndios.
O psicólogo Lucas Marques, um dos autores do artigo, destaca a importância de nomear esse sofrimento, pois isso permite reconhecê-lo como uma questão legítima, que possui causas e contextos específicos. A solastalgia não está apenas relacionada ao sofrimento individual, mas reflete uma crise coletiva que requer um cuidado abrangente, que considere a relação entre saúde mental e ecossistemas. A abordagem tradicional da saúde mental, que muitas vezes ignora a influência do ambiente, precisa ser revista para incluir a saúde ecológica como parte da discussão.
Os impactos da solastalgia são mais acentuados em populações vulneráveis, como indígenas e moradores de áreas afetadas por mudanças climáticas. A conscientização sobre este tema é fundamental para desenvolver políticas públicas que integrem saúde mental e proteção ambiental, criando um espaço seguro para discutir as consequências emocionais da degradação ambiental. A transformação desse conceito em uma ferramenta de compreensão pode ajudar a antecipar os efeitos emocionais da crise climática e promover um cuidado mais efetivo e coletivo.


