O sistema financeiro brasileiro respondeu por 35,42% do custeio da safra de soja em Mato Grosso para 2025/26, marcando um crescimento de 5,04 pontos porcentuais em relação à safra anterior. O levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) revela que o custeio total alcançou R$ 54,39 bilhões, um aumento de 8,2% em comparação aos R$ 50,27 bilhões da safra 2024/25. Essa mudança ocorre em um cenário de elevada seletividade por parte das instituições financeiras, que têm reforçado garantias e exigido mais segurança nas operações.
As revendas de insumos, por sua vez, perderam espaço, contribuindo com apenas 5,25% do custeio total, uma queda de 6,20 pontos porcentuais. As dificuldades financeiras enfrentadas por esse setor, marcadas pelo aumento das falências e pedidos de recuperação judicial, têm impactado sua capacidade de atender a demanda dos produtores. Em contrapartida, multinacionais e tradings aumentaram sua participação para 30,74%, absorvendo parte da demanda deixada pelas revendas e oferecendo maior robustez financeira.
Para o futuro, as expectativas são desafiadoras, com o Imea indicando um cenário de margens pressionadas e custos elevados. A primeira estimativa para a safra 2026/27 sugere uma leve redução de 0,54% nos custos devido à queda nos preços de insumos, mas a participação do sistema financeiro deverá crescer. O aumento da inadimplência e das recuperações judiciais pode resultar em condições mais restritivas, tornando instrumentos como a Cédula do Produtor Rural essenciais para o custeio agrícola.


