Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, declarou nesta segunda-feira, 1, que a taxa Selic se manterá em 15% ao ano pelo tempo que for necessário. Em um evento promovido pela XP em São Paulo, enfatizou que não há mudanças em sua posição desde sua última declaração. O pronunciamento pareceu ser direcionado tanto aos mercados quanto ao governo, que busca a redução dos juros para estimular a economia.
A insistência em manter a Selic elevada ocorre em um momento em que a ala política do governo pressiona por um relaxamento monetário, visando recuperar o crescimento econômico antes das eleições municipais. Apesar de uma leve melhora nas projeções de inflação para 2025 e 2026, Galípolo não alterou seu discurso. O Boletim Focus indicou uma leve queda nas previsões, mas isso não foi suficiente para modificar a postura do presidente do BC.
A estratégia de manter os juros altos pode esfriar a economia e inibir investimentos, mas a cautela é necessária para não reverter os avanços na credibilidade econômica. A pressão política em Brasília contrasta com a cautela do mercado em Faria Lima, que opera entre o otimismo contido e o ceticismo. A dúvida persiste: quando e a que custo a taxa Selic poderá ser reduzida?

