A Itália, sob a liderança da primeira-ministra Giorgia Meloni, apresenta resistência ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, programado para ser assinado no próximo sábado, dia 20. Meloni descreveu a assinatura como ‘prematura’, condicionando seu apoio a garantias adequadas para o setor agrícola. Esta posição é especialmente relevante, dado que a Itália é o terceiro país mais populoso da UE, o que a coloca em uma posição decisiva no processo de aprovação do tratado.
O acordo, que é resultado de mais de duas décadas de negociações, visa criar a maior zona de livre comércio do mundo, beneficiando tanto a União Europeia quanto o Mercosul. No entanto, a hesitação da Itália, em sintonia com a oposição da França, Polônia e Hungria, pode levar a um bloqueio, complicando as perspectivas de finalização do tratado. Meloni reafirmou seu compromisso com o comércio internacional, mas destacou as preocupações dos agricultores italianos sobre a competitividade com produtos sul-americanos de menor custo e diferentes regras ambientais.
As negociações já incluem salvaguardas para mitigar os efeitos adversos sobre o setor agrícola europeu. Contudo, críticos afirmam que as garantias oferecidas ainda são insuficientes. A resistência italiana, portanto, não apenas reflete preocupações locais, mas também pode impactar a estratégia global da UE em relação à diversificação de mercados e fortalecimento de laços com a América do Sul.

