Recentes eventos na Venezuela, incluindo a captura de Nicolás Maduro e a ascensão de sua vice, Delcy Rodríguez, como presidente interina, levantam questões sobre o papel das Forças Armadas no processo de transição. Especialistas acreditam que os militares, que historicamente foram leais ao chavismo, podem atrasar a troca de governo, temendo a exposição de corrupção e crimes cometidos nas últimas duas décadas.
O cientista político Víctor M. Mijares afirma que os militares devem se alinhar ao governo que parecer mais forte, evidenciando uma desconfiança mútua entre os chavistas. Além disso, a elite militar, que se beneficiou do vínculo com a liderança política, pode estar considerando a cooperação com os Estados Unidos, aumentando a complexidade da situação. A operação americana, que resultou em baixas significativas, revela fragilidades nas Forças Armadas venezuelanas, que não demonstraram resistência a uma ação externa.
Com a cúpula militar em uma posição delicada, especialistas sugerem que a possibilidade de um governo sob tutela americana é uma opção a ser considerada, mesmo que relutantemente. A transição de poder pode ser lenta, com os militares buscando manter suas estruturas para evitar que crimes passados venham à tona. A situação permanece instável, e a resposta dos militares diante de pressões externas será crucial para os desdobramentos futuros na Venezuela.

