As ações da Natura dispararam nesta terça-feira, 31 de março de 2026, superando R$10 pela primeira vez desde setembro do ano passado. O aumento ocorreu após um acordo que prevê a aquisição de uma participação de até 10% na fabricante de cosméticos pela Advent International.
O compromisso firmado por acionistas signatários do acordo da Natura, incluindo os fundadores, com o fundo de investimento Lotus, envolve a aquisição no mercado secundário de participação equivalente a no mínimo 8% e no máximo 10% do capital social. A operação deverá ocorrer no prazo de até seis meses, com um preço-alvo médio de R$9,75.
Com a aquisição da participação minoritária, a Advent poderá indicar dois membros adicionais para compor o conselho de administração e participar de alguns comitês de assessoramento do colegiado. “A possível entrada da Advent pode redefinir/reforçar o senso de responsabilidade e de ‘ownership’ na Natura, o que, ao longo do tempo, pode se traduzir em melhor execução, eficiência operacional e retornos”, afirmaram analistas do Bradesco BBI.
Por volta de 13h30, as ações da Natura saltavam 9,52%, alcançando R$10,12, o melhor desempenho entre os papéis do Ibovespa, que subia 1,69%. Os papéis não haviam sido negociados acima de R$10 desde 19 de setembro do ano passado, quando chegaram a R$10,44 na máxima daquela sessão.
A Natura também anunciou que os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos decidiram migrar do conselho de administração para um novo conselho consultivo, que será instituído e eleito, conforme proposta a ser apreciada em assembleia de acionistas convocada para 29 de abril. O conselho consultivo terá a função de zelar pela preservação dos propósitos, valores e cultura da Natura, sem funções executivas ou poderes decisórios.
Fábio Barbosa deixará o conselho de administração, onde ocupa a cadeira de presidente, e passará a atuar como membro do conselho consultivo, dependendo da decisão na assembleia. A administração propôs a recomposição integral do conselho para um mandato de dois anos, a ser iniciado após a assembleia.
A chapa proposta prevê a permanência de Duda Kertesz, João Paulo Ferreira (CEO) e Alessandro Carlucci, com este último assumindo a presidência do colegiado. Além disso, haverá a entrada de Pedro Villares, Guilherme Passos e Luiz Guerra, parte da transição dos fundadores, e a eleição de Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto. Bruno Rocha e Gilberto Mifano também deixarão o conselho.
“”Nós enxergamos a proposta de renovação do conselho, juntamente com a mentalidade estratégica de ‘nova fase’, como um desenvolvimento construtivo”, afirmam analistas do Bradesco BBI.”
Os analistas também destacaram que o envolvimento contínuo dos fundadores e principais visionários da Natura deve ajudar a preservar a cultura da empresa e seu DNA estratégico de longo prazo, ativos fundamentais na construção de uma das marcas mais fortes do Brasil e da América Latina.

