O agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, residente em Tabuleiro do Norte, Ceará, voltou a receber água encanada após a perfuração de um poço artesiano em seu sítio, onde encontrou um líquido com características de petróleo.
A perfuração do poço ocorreu em novembro de 2024, com o objetivo de solucionar a escassez de água em sua propriedade, localizada a cerca de 35 quilômetros da sede do município. No entanto, ao invés de água, jorrou um líquido preto e viscoso, com forte odor de combustível. Desde então, a família aguarda um laudo da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para esclarecimentos sobre a substância encontrada.
Recentemente, Sidrônio comemorou a volta do abastecimento de água por uma adutora antiga da região, que havia sido insuficiente anteriormente. Ele relatou:
“”Eles (a prefeitura) me deram ajuda. Tá vindo água, encheu as vasilhas, fiquei muito satisfeito. A gente usa para banho, para cozinhar, para os bichos beberem. O negócio estava ruim, mas [melhorou], deu mais uma chuva”.”
A adutora, que transporta água de reservatórios e rios, é crucial para a qualidade de vida em regiões afetadas pela seca, como Tabuleiro do Norte. Sidrônio explicou que a água chega a cada oito dias, mas é suficiente para as necessidades básicas da família.
Ele vive com a esposa, Maria Luciene, e dois filhos no Sítio Santo Estevão. Sem água encanada, a família dependia de carros-pipa para abastecimento. A renda do casal vem de aposentadorias e da venda de animais, feijão e milho. A descoberta do líquido com características de petróleo trouxe preocupações, pois os custos da perfuração dificultam a abertura de um novo poço, e há riscos de contaminação do lençol freático.
O filho de Sidrônio, Sidnei Moreira, ressaltou que a prioridade da família sempre foi encontrar água. Ele afirmou:
“”Nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água”.”
Caso a substância seja confirmada como petróleo, a expectativa é que a situação seja resolvida rapidamente para garantir o abastecimento.
Conforme especialistas, o agricultor não será proprietário do petróleo, pois a Constituição Federal determina que as riquezas do subsolo pertencem à União. Contudo, ele poderá receber um percentual do lucro caso a área seja explorada comercialmente no futuro.
A família já procurou a ANP em julho de 2025, mas a agência não havia respondido até o momento. A primeira visita da ANP ocorreu em 12 de março de 2026, quando foram repassadas orientações e uma amostra do líquido foi coletada.


