O agricultor Sidrônio Moreira, de Tabuleiro do Norte, Ceará, encontrou um possível depósito de petróleo ao perfurar dois poços artesianos em seu quintal. O caso começou em novembro de 2024, quando ele estranhou o líquido preto que jorrou do solo e decidiu fazer um teste caseiro.
Sidrônio havia solicitado um empréstimo de R$ 15 mil para cavar os poços, na esperança de resolver a falta de água encanada em sua casa. No entanto, ao invés de água, ele encontrou um material denso e viscoso com cheiro de combustível. ‘Quando puxou o óleo, e colocaram em uma vasilha, eu cheirei e disse: É óleo mesmo’, relatou.
“‘Água não pega fogo, é óleo mesmo'”
O agricultor também mencionou que, às vezes, ouve um barulho alto, semelhante a um estrondo, vindo do local onde o material foi encontrado, o que assusta sua família e os animais do sítio. Um dos filhos levou o caso ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), que, em 2025, confirmou que o líquido possui características semelhantes ao petróleo da Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) está investigando o caso, mas a família continua sem acesso à água encanada. Sidrônio expressou sua frustração: ‘O que interessa é água. Não quero riqueza, quero apenas sobreviver’.
A família vive com dois filhos no Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 km do centro de Tabuleiro do Norte, e depende de adutora e carros-pipa para o abastecimento de água. Eles enfrentam dificuldades para racionar a água armazenada, que é utilizada para consumo e criação de animais.
Além disso, a descoberta do líquido com características de petróleo e os custos da perfuração dificultam a abertura de um novo poço. A família foi alertada sobre os riscos de contaminação do lençol freático caso uma nova perfuração seja feita de forma inadequada. ‘Nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água’, afirmou Sidnei Moreira, filho de Sidrônio.
Mesmo que a presença de petróleo seja confirmada, a família não poderá explorar ou vender o recurso, pois, pela legislação brasileira, o petróleo pertence à União. A exploração deve ser feita por empresas autorizadas após estudos e leilões do governo federal.
Sidrônio utilizou parte de suas economias e contraiu um empréstimo de R$ 15 mil para perfurar o primeiro poço. Após a frustração de não encontrar água, ele perfurou um segundo poço, mas novamente não obteve sucesso. ‘Vamos esperar por Deus, quem sabe não melhora?’, lamentou.
O vice-prefeito de Tabuleiro do Norte, Antério Fernandes, informou que uma nova adutora está sendo construída na zona rural da cidade, com previsão de atender mais de 700 famílias, incluindo a de Sidrônio, até o fim de março.

