O diretor de dados da Timelens, Renato Dolci, afirmou que os algoritmos das redes sociais distorcem o debate público. Ele apresentou sua análise no programa WW Especial.
Dolci destacou que, embora os algoritmos personalizem a experiência do usuário de acordo com seus interesses, eles representam um risco para a formação de opinião. ‘Eu não serei impactado por temas que não me interessam, serei impactado por temas que me interessam. Agora, o problema disso é quando a gente fala de debates públicos, quando a gente fala de política’, disse.
Um estudo das universidades Vanderbilt e Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, revelou que os algoritmos personalizados limitam a visão do público a um único ponto de vista e criam generalizações amplas. Dolci ressaltou que o problema não está apenas nas informações que os usuários perdem, mas também na falta de percepção sobre o que não é exposto pelas plataformas.
O especialista criticou a imprensa, afirmando que ela caiu em uma ‘armadilha’ ao entrar nas mídias sociais, jogando com regras que não controla. Ele também mencionou a dificuldade dos veículos de comunicação em entender essas regras e a crescente influência de criadores de conteúdo, que trazem a questão da parcialidade.
Dolci observou que a crítica do público à imprensa não está relacionada à usabilidade, mas à opinião. ‘As redes sociais são vistas como espaços onde eu posso encontrar a imparcialidade que eu acho que é imparcialidade. E aí entra o algoritmo’, completou.
Um estudo da Consumer Pulse revelou que os brasileiros passam mais de 9 horas na internet, com pouco mais de 3 horas dedicadas apenas às redes sociais. Dolci citou Mark Zuckerberg, afirmando que as plataformas digitais ‘são perder tempo’. ‘Você precisa gastar muito tempo dentro dessas plataformas para que você – que, no final do dia, é o produto – seja impactado por publicidade’, explicou.
A utilização constante de redes sociais está associada a problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, especialmente entre jovens e adolescentes. O psicólogo Jonathan Haidt, em seu livro ‘A geração ansiosa’, detalha como a hiperconectividade causa privação de sono, fragmentação da atenção e vício entre os mais jovens. ‘No mundo todo, as pessoas mais jovens costumavam ser muito mais felizes do que elas são hoje’, afirmou Haidt.

