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Alta do petróleo pode aumentar receitas do governo em até R$ 96,6 bilhões

Amanda Rocha
Última atualização: 13 de março de 2026 11:03
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Ministério da Fazenda estima que a alta dos preços do petróleo pode elevar a receita líquida do governo central em até R$ 96,6 bilhões. Essa projeção considera o pior cenário do conflito no Oriente Médio, que prejudica a oferta da commodity devido à destruição de instalações produtivas e interrupções logísticas severas.

De acordo com a Secretaria de Política Econômica, esse cenário deve resultar em um crescimento positivo de 0,36 ponto percentual na economia brasileira. A estimativa é que o superávit comercial aumente em US$ 10,3 bilhões, levando a uma apreciação cambial de 4,5% e a uma alta de aproximadamente 0,58 ponto percentual na inflação de 2026.

““Importante notar que o impacto de variações mais extremas no preço do petróleo sobre a atividade e a inflação não é linear. Em cenários ainda mais disruptivos, o aumento da incerteza e aversão ao risco tendem a prejudicar o comércio e crescimento mundial, levando a quadro de estagflação. Nesse caso, o crescimento brasileiro também seria afetado negativamente”, diz a nota técnica.”

A equipe econômica também considerou um cenário de choque persistente, onde a expectativa é de uma guerra mais duradoura, com normalização gradual da oferta de petróleo e derivados ao longo do ano. Nesse caso, a receita líquida do governo central aumentaria em R$ 48,3 bilhões.

““No cenário de choque persistente, os impactos são mais pronunciados. O modelo indica crescimento adicional de 0,23 ponto percentual para o PIB em 2026, acompanhado de elevação do superávit comercial em US$ 5,1 bilhões e de apreciação cambial de 2,3%. A inflação avança cerca de 0,33 ponto percentual no ano nesse cenário”, diz.”

Outro cenário avaliado é o de choque temporário nos preços do petróleo, que pressupõe a diminuição dos conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de reparação dos danos às instalações energéticas e logísticas. Nesse caso, o Ministério da Fazenda estima que a receita líquida do governo central aumente em aproximadamente R$ 21,4 bilhões.

O modelo aponta um crescimento adicional de 0,1 ponto percentual para o PIB em 2026 em relação à projeção anterior, que era de 2,3%. Nesse cenário, o superávit da balança comercial aumenta em US$ 2,5 bilhões, enquanto a taxa de câmbio se aprecia em cerca de 1,1% e a inflação ao consumidor sobe 0,14 ponto percentual.

Apesar do choque no petróleo, as perspectivas macroeconômicas do governo para 2026 permanecem favoráveis. O ministério avalia que a elevação nos preços do petróleo impacta positivamente a atividade econômica, a balança comercial e a arrecadação, embora a inflação seja mais pronunciada em um cenário disruptivo.

““Por isso, a expectativa para 2026, mesmo diante do conflito, é de que o crescimento siga resiliente, que a inflação continue em queda e que a meta para o resultado primário seja atingida”, diz a nota técnica.”

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