A Ambev anunciou uma nova política comercial para incentivar a produção de cevada no Sul do Brasil, a partir de 2026. A cevada, que ocupa áreas antes destinadas ao trigo, se tornou uma importante fonte de renda para agricultores na safra de inverno.
O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, e a Ambev, maior cervejaria do país, assegurou que metade do valor da colheita de cevada será garantido por um preço pré-definido, enquanto a outra metade seguirá a cotação do trigo. ‘Essa era uma demanda do produtor porque o preço do trigo caiu muito no último ano. Então, definimos R$ 75 por saca [o trigo está em média a R$ 58 no Rio Grande do Sul] para assegurar os custos de produção’, explicou Edivan Panisson, diretor de Suprimentos e Sustentabilidade da Ambev.
A Ambev já possui um programa de fomento ao cultivo de cevada desde os anos 1980, especialmente na região de Passo Fundo, onde tem duas maltarias. O objetivo é reduzir a dependência de importação e os custos logísticos, com incentivos para produtores localizados até 200 quilômetros das fábricas.
A empresa garante a compra de 100% da produção de cevada cervejeira e oferece assistência técnica aos agricultores. A cevada que não atinge os padrões de qualidade para cerveja é comprada para uso como forrageira. O pagamento aos produtores é realizado no final de dezembro, após a colheita, que ocorre entre outubro e novembro.
No Paraná, a Ambev mantém uma parceria com a cooperativa Agrária, que anunciou a construção de novas maltarias. O estado deve semear cevada em 111,3 mil hectares em 2026, um aumento de 7,3% em relação ao ano anterior, enquanto o Rio Grande do Sul deve cultivar 34,5 mil hectares, com um crescimento de 9,9%.
A Embrapa testou o cultivo de cevada no Centro-Oeste, mas a necessidade de irrigação elevou os custos, inviabilizando a produção. O clima no Sul, com excesso de chuva na fase reprodutiva, também prejudica a qualidade dos grãos. O pesquisador Aloisio Vilarinho, da Embrapa Trigo, destacou que as intempéries afetam a colheita e que a pesquisa busca desenvolver cultivares mais resistentes.
A Ambev também incentiva o uso de sementes de alta qualidade. A cultivar ABI Valente, desenvolvida pela empresa, é 16% mais produtiva que as variedades atuais e possui maior resistência a doenças. Os produtores não pagam royalties pelo uso dessa cultivar, que poderá ser licenciada a outras indústrias no futuro.

