Nos Estados Unidos, a venda de plasma sanguíneo tem se tornado uma alternativa frequente para gerar renda extra, especialmente entre a classe média. Essa prática, que combina necessidade financeira e demanda médica, movimenta bilhões de dólares e já é rotina para muitos americanos.
O plasma, parte líquida do sangue, é crucial para a produção de medicamentos usados em tratamentos de doenças graves, como imunodeficiências e distúrbios de coagulação. De acordo com o jornal The New York Times, cerca de 215 mil pessoas vendem plasma diariamente no país, recebendo entre US$ 60 (R$ 314) e US$ 70 (R$ 366) por sessão.
Os doadores podem realizar a coleta até duas vezes por semana, possibilitando ganhos de até US$ 600 (R$ 3,1 mil) mensais. Muitos utilizam esse dinheiro para despesas como gasolina, supermercado e contas médicas. Além disso, há bônus para novos doadores e incentivos para aqueles que mantêm a frequência.
Os Estados Unidos são responsáveis por aproximadamente 70% do plasma coletado mundialmente, em parte devido à permissão de pagamentos aos doadores, prática desencorajada pela Organização Mundial da Saúde. Em 2024, o país exportou US$ 6,2 bilhões em plasma, com 62,5 milhões de litros coletados, o maior volume já registrado.
A imagem de que apenas pessoas em situação extrema vendem plasma não é mais precisa. O New York Times relata que profissionais de diversas áreas, como tecnologia e educação, têm recorrido a essa prática para complementar a renda. Joseph Briseño, de 59 anos, supervisor de uma empresa de resíduos, vende plasma duas vezes por semana para ajudar no orçamento familiar.
O processo de doação envolve um questionário de triagem, checagem de sinais vitais e a coleta de plasma, que dura cerca de uma hora. O pagamento é feito por cartões pré-pagos, e existem programas de bônus por fidelidade. Apesar de ser considerado seguro, a prática ainda carrega estigmas, e muitos doadores preferem permanecer anônimos.
A expansão da venda de plasma reflete um problema maior: a disparidade entre o custo de vida e o crescimento salarial. Mesmo pessoas com emprego estável enfrentam dificuldades financeiras, levando-as a buscar essa alternativa para evitar dívidas e manter o padrão de vida.


