Amigas da policial militar Gisele Alves relataram comportamentos preocupantes do tenente-coronel Geraldo Neto, preso após a morte da PM. Os depoimentos foram coletados no inquérito policial e descrevem um relacionamento marcado por controle e vigilância.
Gisele Alves contou a uma amiga que, em um casamento em 2025, Geraldo estava armado com três armas, o que causou espanto entre os presentes. As amigas afirmaram que o oficial monitorava a rotina da esposa, acompanhando suas escalas e frequentando seu local de trabalho. ‘Quase todos os dias ia buscá-la’, disse uma das depoentes.
Os relatos indicam invasão de privacidade, com o tenente-coronel se escondendo para observar Gisele e seus colegas. Uma das amigas notou que Gisele estava ‘tensa na presença do marido’, apresentando uma postura mais reservada do que o habitual.
Os depoimentos também revelaram episódios de ciúmes extremos e descontrole emocional por parte de Geraldo. Em uma discussão, ele teria perdido o controle, com ‘veias saltando e agressividade visível’. Em outra ocasião, ele precisou ser contido após reagir a um elogio feito a Gisele no batalhão.
O medo de uma possível violência mais grave era constante. Gisele chegou a questionar uma amiga se o marido ‘teria coragem de matá-la’. Ela expressou que, caso algo acontecesse, ‘ele a mataria’ e que a situação poderia chegar ao limite de ‘ou ele me mata ou eu mato ele para me proteger’.
O crime ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, por volta das 7h28, quando, segundo o Ministério Público, durante uma discussão, Geraldo segurou Gisele pela cabeça e disparou contra o lado direito do crânio dela. A acusação também aponta que houve demora no acionamento do socorro, com Geraldo chamando ajuda cerca de meia hora após o disparo.
Os depoimentos também mencionaram o impacto no ambiente familiar. A filha de Gisele, que vivia com o casal, demonstrava medo do ‘tio Neto’, apresentando perda de peso e episódios de enurese noturna. As amigas da vítima destacaram que o relacionamento era marcado por controle psicológico e vigilância constante, indicando um risco real e iminente.

