O analista Lourival Sant’Anna afirmou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convenceu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a participar da guerra contra o Irã ao informar sobre uma oportunidade de eliminar o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Segundo Sant’Anna, Trump possui uma “obsessão” por Barack Obama e deseja se igualar ao ex-presidente, que eliminou Osama Bin Laden durante seu governo. “Trump tem esse desejo de se equiparar também nisso ao Obama, matando um líder significativo”, explicou o analista.
O especialista destacou que Netanyahu construiu sua carreira política com foco na segurança nacional de Israel. “Ele trocou a fórmula terra por paz pela fórmula terra por segurança e colocou o Irã como centro das ameaças”, afirmou Sant’Anna. O ataque do Hamas em outubro de 2023 teria confirmado essa tese defendida pelo primeiro-ministro israelense.
Netanyahu enfrenta sérios problemas políticos internos, incluindo processos na Corte Suprema por corrupção e abuso de poder. Antes do ataque do Hamas, o primeiro-ministro estava enfrentando os maiores protestos da história de Israel após tentar mudar a lei para reduzir a independência da Corte Suprema.
Conforme as pesquisas eleitorais, Netanyahu poderia ser derrotado nas eleições marcadas para 26 de outubro. No entanto, com o novo conflito contra o Irã, as sondagens indicam que ele pode vencer o pleito. “Ele agora conseguiu essa outra guerra, essa outra campanha, que realmente, eleitoralmente, parece que vai dar muito certo para ele”, observou.
Apesar dos possíveis ganhos eleitorais de curto prazo, Sant’Anna alertou que a destruição do Irã ou a tentativa de transformá-lo em um estado falido não seria benéfica para Israel no longo prazo. “Traria uma instabilidade, abriria uma caixa de pandora, e nós sabemos a capacidade do Irã de irradiar o terrorismo sobre a região”, explicou.
O analista também destacou que Netanyahu ainda não deu explicações políticas sobre os erros de inteligência e defesa que permitiram o ataque do Hamas em outubro de 2023. Enquanto vários líderes militares israelenses renunciaram ou foram punidos, “o lado político, que é responsabilidade do Netanyahu, até hoje ele praticamente não se manifestou a respeito”, concluiu Sant’Anna.


