O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do inquérito que investiga o escândalo do Banco Master, entrou em conflito com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Mendonça estabeleceu um prazo de apenas 24 horas para que Gonet se manifestasse sobre a necessidade de uma nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
Gonet expressou insatisfação com o tempo curto e não apoiou a nova prisão do empresário, que é crucial para que Vorcaro avance em um acordo de delação premiada. Este episódio reflete o desconforto do Ministério Público em relação a Mendonça e evoca o fantasma da Operação Lava-Jato.
Desde que assumiu a relatoria do caso, Mendonça se reuniu duas vezes com delegados da Polícia Federal para discutir o caso sem a presença do MP. Essas reuniões geraram comparações com a postura do ex-juiz Sergio Moro, que foi acusado de parcialidade por trabalhar em sintonia com a equipe do procurador Deltan Dallagnol.
O objetivo de Mendonça ao se reunir com os policiais era se atualizar sobre as principais descobertas da investigação e discutir pedidos pendentes, como quebras de sigilo e ordens de prisão. O ministro afirmou a diferentes interlocutores que tentará evitar decisões judiciais próximas às eleições para não agravar a turbulência política e que não busca perseguir ou proteger ninguém.
A possibilidade de um acordo de delação premiada por Vorcaro também traz à tona lembranças da Lava-Jato, uma vez que esse acordo pode implicar ministros do STF, membros do governo Lula e diversos parlamentares do Centrão. A história da Lava-Jato, que começou com a prisão de doleiros e culminou na condenação do presidente Lula, mostra que a definição dos alvos e a abrangência das delações podem comprometer a própria viabilidade do acordo.
Casos anteriores, como os de Leo Pinheiro e Sergio Cabral, demonstram que delações sem provas concretas foram desconsideradas. Além disso, as alegações de figuras como Antonio Palocci e Marcelo Odebrecht perderam credibilidade por falta de evidências.
Daniel Vorcaro, conhecido por sua extensa rede de contatos políticos, ascendeu rapidamente no mercado financeiro, mas as acusações contra ele são difíceis de comprovar. Para implicar figuras do Centrão ou ministros do governo Lula, será necessário apresentar provas de que houve exigências de contrapartidas, o que raramente é acompanhado de evidências físicas. Assim, a delação de Vorcaro pode se diferenciar dos acordos problemáticos da Lava-Jato, deixando a classe política em estado de apreensão.

