A escassez de combustível e os frequentes apagões em Cuba têm afetado diretamente o dia a dia na capital Havana. Desde as 18h do sábado, 21 de março, até ao menos as 8h do domingo, 22 de março, o bairro de Habana Vieja, que geralmente não era atingido pelas quedas de energia, ficou sem luz.
Os moradores enfrentam dificuldades para se comunicar, já que o acesso à internet é limitado. “Só consegui um pouco de Wi-Fi agora, mas muito ruim. Não consigo nem abrir sites de notícias pra ler atualizações, apenas o WhatsApp — e, mesmo assim, demora horas para mandar uma mensagem”, relatou um morador.
As informações circulam principalmente de boca a boca entre vizinhos. Durante a noite, muitas famílias se reúnem nas ruas para conversar, comer ou beber o que têm na geladeira. “A escuridão, quando chega à noite de verdade, é total. Não dá nem para ver mais de cinco metros na frente”, descreveu um residente.
Este é o segundo apagão geral do Sistema Elétrico Nacional em duas semanas. A situação tem gerado um senso de coletividade, já que as pessoas se juntam para passar o tempo juntas. “Ontem aqui na casa em que estou hospedado tinha idoso, criança, cachorro, música…”, contou um morador.
Os cortes de energia estão aumentando de duração, especialmente nas cidades mais afastadas. O último apagão, no início da semana, durou quase 24 horas. Desde 9 de janeiro, não entrou nenhum navio petroleiro, o que tem agravado a situação, já que as termelétricas são antigas, remanescentes da era soviética.
Até mesmo quem possui gerador enfrenta dificuldades, pois a compra de combustível está impossível. As filas são enormes, há limites de venda e o preço no mercado negro é elevado, chegando a 7 dólares o litro de gasolina. Além disso, quando a luz cai, as torres de comunicação também ficam sem energia, inviabilizando a comunicação.

