Artefatos do Império Romano foram descobertos no fundo do lago Neuchâtel, na Suíça, datando de cerca de 2 mil anos atrás. Os objetos são considerados de ‘valor histórico inestimável’ e apresentam grande diversidade e estado de preservação excepcional, conforme afirmam os pesquisadores envolvidos na descoberta.
A descoberta ocorreu em novembro de 2024, a partir de imagens aéreas capturadas por um drone, durante um projeto da ONG Octopus Foundation que busca naufrágios no lago. As escavações subsequentes revelaram uma carga de cerâmicas antigas, datadas entre 50 a.C. e 50 d.C., período que abrange o fim da República e o início do Império Romano.
Em março de 2025, arqueólogos e técnicos da ONG realizaram uma expedição em uma área de 60 por 24 metros, onde encontraram a maior parte das cerâmicas, totalizando aproximadamente 150 objetos. Esses itens foram levados para o laboratório de restauração do Museu Laténium, em Hauterive, na Suíça.
Além das cerâmicas, outros artefatos foram encontrados a até 200 metros do ponto central, incluindo rodas de carruagem de madeira e metal, restos de uma ânfora e diversas peças de cerâmica. A separação dos itens sugere que o naufrágio se estendeu por uma área considerável.
Durante um ano, o sítio foi monitorado por câmeras subaquáticas, enquanto as equipes de restauração estudavam as peças retiradas. Os pesquisadores estabeleceram protocolos de conservação para os objetos frágeis, mantendo-os em água desmineralizada a temperaturas de 5-6ºC antes de secá-los gradualmente.
Em março de 2026, as escavações foram retomadas, contabilizando aproximadamente 600 artefatos. A preservação das cerâmicas foi desafiadora, pois muitas estavam cobertas por sedimentos acumulados ao longo dos anos. A erosão causada por correções de nível promovidas pelo governo suíço no século 19 e 20 expôs os objetos a correntes de água e possíveis saques.
Os arqueólogos encontraram um conjunto completo de cerâmicas, fragmentos de ânforas, utensílios de cozinha em metal, objetos relacionados a cavalos, rodas de carroça e equipamentos pessoais de legionários, incluindo espadas. O estudo desses objetos permitirá uma melhor compreensão da vida romana na época, embora a análise possa levar meses ou anos.
A principal hipótese é que a carga era destinada a legionários ao longo da fronteira do rio Reno, com indícios de que a carga era escoltada por soldados. Um objeto notável, uma fíbula, ajuda na datação da carga, surgindo apenas no reinado do imperador Tibério, que começou em 14 d.C. A carga pode ter sido destinada à XIIIª Legião (Gemina), estacionada em 16 d.C. em Vindonissa.
Um aspecto intrigante da descoberta é a ausência do barco que transportava a carga. Não foram encontrados vestígios do naufrágio nas proximidades, levando os pesquisadores a acreditar que a carga pode ter afundado devido a uma rajada de vento repentina, enquanto a embarcação escapou do naufrágio ou afundou em outro local.


