A tempestade solar que afetou a Terra entre os dias 20 e 22 de março de 2026 gerou preocupações entre agências espaciais, especialmente em relação aos astronautas em órbita, que estão mais vulneráveis a esse fenômeno. Na Terra, a magnetosfera e a atmosfera atuam como um ‘cobertor’ invisível, filtrando a maior parte da radiação. Mesmo os astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS) têm alguma proteção por estarem em órbita baixa.
No entanto, ao se deslocarem para o espaço mais profundo, como é o caso das missões Artemis II, esse escudo protetor desaparece, expondo os astronautas a radiações ionizantes. Essa radiação pode atravessar tecidos vivos, causando danos ao DNA e alterando processos celulares. Os cientistas identificam três fontes principais de radiação: Raios cósmicos galácticos (GCR), que são partículas que viajam quase à velocidade da luz; Eventos de partículas solares (SPE), que são erupções repentinas do Sol; e os Cinturões de Van Allen, que são zonas de radiação intensa ao redor da Terra.
De acordo com a NASA, a exposição prolongada a essas partículas não provoca transformações biológicas imediatas, mas pode ser comparada a um ‘envelhecimento acelerado’, aumentando em até 5% o risco de câncer. Além disso, pode afetar o sistema nervoso central, prejudicando a memória e a coordenação motora, o que impacta a capacidade de decisão durante as missões. A saúde cardiovascular dos astronautas também pode ser comprometida, aumentando o risco de doenças cardíacas.
Outro risco é a Síndrome Aguda de Radiação, que pode causar náuseas, fadiga e falhas no sistema imunológico em casos de erupções solares extremas. A NASA alerta que a exposição à radiação espacial pode aumentar o risco de doenças degenerativas que afetam múltiplos tecidos, incluindo o coração e os olhos.
Recentemente, a NASA estabeleceu um limite unificado de radiação de 600 mSv (milisieverts) para a carreira dos astronautas, independentemente de idade ou sexo, permitindo a participação de mais mulheres em missões de longa duração. Para comparação, uma pessoa na Terra recebe cerca de 3 mSv por ano.
A engenharia espacial está em busca de alternativas para reduzir esses riscos. A nave Orion, que levará humanos à Lua, possui áreas com blindagem reforçada que funcionam como ‘quartos de pânico’ durante tempestades solares. Além disso, a NASA está investindo em ‘medicina personalizada’ para desenvolver estratégias que protejam a saúde dos astronautas. Através do projeto AVATAR, estão sendo utilizados ‘chips com tecidos humanos’ para prever como o corpo de cada astronauta reagirá à radiação antes do lançamento.

