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Atlas de Rotas Migratórias de Aves é lançado na COP15

Amanda Rocha
Última atualização: 27 de março de 2026 14:12
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.
Atlas de Rotas Migratórias de Aves é lançado na COP15

Uma nova ferramenta que mapeia rotas de migração e locais de parada para 89 espécies de aves migratórias das Américas foi lançada na quinta-feira (26) durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), em Campo Grande.

O Atlas de Rotas Migratórias das Américas está disponível online e visa ajudar a identificar locais onde os esforços de governos e cooperação internacional são mais necessários. O diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Braulio Dias, afirmou que a ferramenta permitirá definir áreas geográficas que precisam de mais atenção para a conservação.

“Em termos de políticas públicas, a gente consegue definir, com maior precisão, áreas geográficas que precisam de mais atenção para a conservação, para criação de áreas protegidas, públicas ou privadas”, explicou Dias.

As informações do atlas também beneficiarão o processo de licenciamento ambiental para empreendimentos de geração de energia, como linhas de transmissão e torres eólicas. “Se a localização dessas linhas de transmissão e das torres eólicas não for muito bem-feita, pode resultar em alta mortalidade de aves e também de morcegos”, reforçou.

O atlas apresenta um mapa interativo que mostra as áreas de concentração de aves (ACAs) e a trajetória percorrida por cada espécie ao longo do ano. “Quem gosta de aves, quer fazer uma atividade de turismo numa região, já pode consultar ali para saber que espécies são mais comuns em um local, onde procurar”, detalhou o diretor do MMA.

A base de dados do atlas utiliza milhões de registros gerados por ciência-cidadã na plataforma eBird e deverá ser ampliada para incluir 622 espécies que percorrem 56 países nas rotas migratórias das Américas, que vão do Ártico canadense à Patagônia chilena.

Um exemplo de ave catalogada é o pássaro conhecido como veste-amarela, que passa pelo Sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Esta espécie enfrenta um declínio acentuado da população e está na lista de espécies ameaçadas de extinção da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS).

“Este atlas mostra o que é possível quando se reúne milhões de observações de aves, a partir da contribuição de pessoas de toda a América”, ressaltou o diretor do Centro de Estudos de Populações de Aves do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, que participou do desenvolvimento da ferramenta.

O atlas é resultado de uma iniciativa do secretariado da CMS, em parceria com o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, o MMA e o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS). Durante o lançamento, a secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel, destacou que o atlas reforça o compromisso de fortalecer a conectividade ecológica além fronteiras.

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