O Brasil, que foi referência mundial no combate ao tabagismo por mais de 30 anos, viu um aumento alarmante no número de fumantes adultos. Em 2023, apenas 9% da população era composta por fumantes, mas em 2024, esse número subiu para 12%, um aumento de quase 30% em um ano.
Esse crescimento é atribuído ao uso de vapes ou cigarros eletrônicos, que se tornaram populares entre os jovens. A indústria do cigarro convencional, percebendo a queda no número de fumantes, lançou produtos que atraem principalmente esse público, oferecendo dispositivos discretos com sabores variados, como melancia e morango.
A venda, fabricação e importação de cigarros eletrônicos são proibidas no Brasil desde 2009 pela Anvisa. No entanto, a falta de fiscalização permitiu um crescimento de 600% no uso de vapes nos últimos 17 anos. Essa situação é considerada um problema de saúde pública, pois o vape não é uma alternativa segura ao cigarro convencional.
Estudos indicam que a fumaça dos vapes contém “sais de nicotina”, que são altamente viciantes e chegam ao cérebro rapidamente. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo revelou que os usuários de vape apresentam níveis de nicotina equivalentes a quem fuma 20 cigarros por dia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que jovens entre 15 e 40 anos que utilizam vapes correm o risco de desenvolver câncer de pulmão. O Brasil, que levou três décadas para reduzir o tabagismo, pode ver esse progresso revertido em apenas dez anos devido à falta de combate eficaz ao uso de vapes.
““O vape mata silenciosamente, e ao contrário do que acontece com os tabagistas do cigarro comum, quando surgirem os primeiros sintomas do câncer, o pulmão não vai arder, mas a doença terá gosto de morango, melancia ou maçã.””

