O Banco Central da Argentina (BCRA) manteve um forte ritmo de compras no mercado de câmbio em março, acumulando US$ 1,217 bilhão até o dia 25. Esse movimento ocorre em um cenário de maior oferta de divisas e estímulos financeiros internos que ajudam a conter as pressões sobre o peso argentino.
Na última quarta-feira, 25 de março, a autoridade monetária adquiriu US$ 146 milhões no mercado livre de câmbio, estendendo uma sequência de compras iniciada em 5 de janeiro. Essa estratégia visa a recomposição das reservas internacionais após anos de fragilidade externa e baixa intervenção no mercado cambial.
O jornal Ámbito Financiero destaca que a dinâmica recente é sustentada por uma combinação de fatores internos e externos. No cenário interno, as altas taxas em pesos continuam a incentivar a alocação em instrumentos de curto prazo do Tesouro, favorecendo a entrada de capital financeiro.
Além disso, a expectativa de um maior fluxo de exportações contribui para ampliar a oferta de dólares no mercado. O Ámbito também menciona a recuperação do superávit energético e a perspectiva de liquidação da safra agrícola a partir de abril, o que deve intensificar a entrada de divisas nas próximas semanas.
Esse conjunto de fatores tem permitido ao BCRA comprar dólares sem gerar pressão imediata sobre o câmbio no curto prazo. No entanto, análises de mercado ressaltam o caráter sazonal dessa dinâmica. O economista Christian Buteler aponta que, historicamente, o BCRA concentra cerca de 37% das compras de dólares no primeiro trimestre, podendo chegar a 84% até junho, indicando uma janela relativamente curta para a acumulação de reservas.
Em paralelo, o risco-país, medido pelo JPMorgan, oscilou ao longo de março, marcando 595 pontos nesta quarta-feira, após ter chegado a níveis próximos de 630 pontos durante o mês. Um ano atrás, o indicador estava em 761 pontos.

