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Banco Master comprou e revendeu créditos podres ao BRB em Carnaval

Amanda Rocha
Última atualização: 31 de março de 2026 19:23
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um documento interno do Banco Regional de Brasília (BRB) revelou que o Banco Master comprou, por R$ 143,6 milhões, uma carteira de créditos podres da Tirreno no dia 4 de março de 2025, uma terça-feira de Carnaval. No dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, o ativo foi repassado ao BRB por R$ 251,2 milhões.

Os créditos da Tirreno não existiam, na prática. Em depoimento, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou que não pagou nenhum real pelos títulos, que foram revendidos ao banco estatal. Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir 58% das ações do Banco Master por R$ 2 bilhões, mas a operação foi barrada pelo Banco Central, que liquidou o banco na mesma data em que prendeu Vorcaro.

As transações estão destacadas em um relatório do grupo de trabalho do BRB, criado para analisar as operações com o Banco Master. O parecer, concluído em 19 de maio de 2025, destaca que a transação entre o Master e a Tirreno ocorreu em um feriado nacional, quando não há expediente bancário.

““Essa operação, realizada em um dia não útil, suscita dúvidas quanto à regularidade do trâmite e à observância dos procedimentos operacionais usuais, o que pode demandar esclarecimentos adicionais ou documentação complementar para validação da legitimidade do processo”, diz um trecho do parecer.”

No dia seguinte, o Banco Master revendeu a mesma carteira de crédito ao BRB por R$ 251,2 milhões. Na data da operação com o BRB, a carteira estava avaliada pelo Master em R$ 143,8 milhões, indicando um ágio de R$ 107,3 milhões.

Foi apenas em uma visita técnica realizada nos dias 29 e 30 de abril de 2025 que o BRB descobriu que parte das carteiras de crédito adquiridas do Master não tinham como fonte o banco de Vorcaro, mas sim a Tirreno. Em reuniões virtuais e em outra visita técnica, o Master alegou que parte dos contratos vinha de uma “Associação”, sem identificar a instituição. A identificação formal como Tirreno só ocorreu na visita presencial, através do superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Felix.

Documentos internos do BRB mostram que, enquanto a compra do Master era avaliada pelo Banco Central, a equipe do banco de Vorcaro deixou de responder a cobranças formais e não esclareceu pendências relacionadas a carteiras de crédito adquiridas pelo BRB. As investigações indicam que o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras. A suspeita é que o Banco Master não tinha fundos suficientes para honrar os títulos que emitiu, com vencimento em 2025, e comprou créditos sem realizar qualquer pagamento da Tirreno para revender ao BRB.

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