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BC tem até quarta para sinalizar possível mudança no corte de juros

Amanda Rocha
Última atualização: 10 de março de 2026 00:00
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Banco Central (BC) tem até a meia-noite de quarta-feira (11) para sinalizar possíveis mudanças na política de juros antes do início do período de silêncio que antecede a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado anunciará sua decisão sobre a taxa Selic na próxima quarta-feira (18).

O mercado aguarda com expectativa o início de um ciclo de cortes na taxa Selic, conforme sinalizado pelo Copom em janeiro, desde que o cenário econômico se mantenha favorável. No entanto, a situação se complicou após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que retaliou com disparos contra Israel e outros países do Oriente Médio.

As 24 horas desta terça-feira (10) representam a última oportunidade para o Copom emitir um sinal público sobre possíveis mudanças antes da reunião. Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, afirma que seria prudente uma declaração do BC se houvesse uma visão diferente da reunião anterior.

A pressão sobre a reunião aumentou com a escalada do conflito no Oriente Médio. O Copom já havia expressado incertezas em seus comunicados anteriores, e na última decisão de juros, manteve a Selic em 15% ao ano, mas deixou em aberto a possibilidade de cortes futuros.

Antes do início da guerra, mais de 70% dos investidores acreditavam que o corte seria de 0,5 ponto percentual. Contudo, a guerra levantou questionamentos sobre a segurança de uma queda brusca na taxa de juros.

A guerra no Oriente Médio impactou o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, crucial para o transporte global de petróleo, resultando em uma queda de 90% no tráfego de navios petroleiros. Os preços do petróleo dispararam, atingindo US$ 100, o que pode ter implicações inflacionárias no Brasil.

Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC, acredita que o BC adotaria uma postura cautelosa, iniciando o ciclo de cortes com 0,25 ponto percentual. No entanto, ele ressalta que a incerteza atual pode influenciar a decisão do Copom.

““O cenário pro Banco Central fica muito mais nebuloso”, afirmou Schwartsman.”

O impacto do aumento do preço do petróleo pode resultar em uma elevação de 0,25 ponto percentual na inflação brasileira, segundo a Tendências Consultoria. Gino Olivares destaca que, apesar da pressão, o BC não deve ser influenciado por ruídos de curto prazo.

O cenário projetado pela Azimut ainda prevê um corte de 0,5 ponto percentual, mas a cautela é necessária devido à incerteza no mercado. O Copom tem espaço para cortar juros, mas a incerteza pode levar a uma abordagem mais cautelosa.

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