Um estudo publicado em março no Journal of Policy Analysis and Management analisou a política de pagamento de bônus financeiros a policiais no estado do Rio de Janeiro entre 2009 e 2015. A pesquisa, realizada por cinco pesquisadores brasileiros, focou na redução de três tipos de crimes: mortes violentas, roubos de veículos e roubos de rua.
Os policiais militares e civis de áreas que cumprissem metas semestrais recebiam bônus que variavam de 500 a 4 mil dólares, ou até R$ 13 mil, independente da patente ou tempo de serviço. O professor Sandro Cabral, autor principal da pesquisa, destacou que o bônus representava uma quantia significativa, especialmente para policiais de menor patente.
A pesquisa concluiu que, quando as metas eram alcançáveis, havia uma queda nos registros de crimes: 6,9% de redução em mortes violentas, 6,3% em roubos de veículos e 8,5% em roubos de rua. Os pesquisadores compararam áreas elegíveis para o bônus com aquelas que já haviam estourado as metas, observando que a motivação dos policiais impactava diretamente na redução da criminalidade.
Além dos crimes monitorados, houve uma redução em crimes não incluídos nas metas, como tentativas de homicídio e roubos de carga. A pesquisa também identificou um maior alinhamento entre policiais militares e civis, que passaram a se comunicar mais frequentemente através de grupos de WhatsApp.
Embora não tenham encontrado evidências de que policiais não elegíveis provocassem aumento na criminalidade, houve indícios de manipulação nos registros de roubos de rua. Cabral considerou o programa bem estruturado, mas apontou problemas de oscilação no valor dos bônus e a insustentabilidade a longo prazo.
O programa foi criado em um período de crescimento econômico, mas em 2016, o estado enfrentou colapso financeiro e não pôde mais pagar os bônus. Outros estados, como São Paulo, Pernambuco e Paraíba, também implementaram programas semelhantes, mas com valores inferiores.
A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, elogiou a pesquisa, mas alertou para o risco de reclassificação de crimes e a necessidade de sustentabilidade orçamentária. Ela sugeriu alternativas de gestão, como prestação de contas e incentivos não financeiros.
Cabral ressaltou a importância de destinar verbas para pagamentos atrelados ao desempenho, em vez de aumentos lineares, para promover a eficiência nas forças de segurança pública.


