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Brasil investe até 10 vezes menos em saneamento básico que países desenvolvidos

Amanda Rocha
Última atualização: 18 de março de 2026 17:35
Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O Brasil ainda investe pouco em saneamento básico, pelo menos dez vezes menos que países desenvolvidos. Essa é a principal conclusão do novo ranking do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta quarta-feira, 18 de março de 2026.

O estudo mostra que mais da metade dos 100 municípios mais populosos do país gasta menos de R$ 100 por habitante ao ano, um patamar considerado insuficiente para a expansão e universalização dos serviços. O levantamento se baseia em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, referentes a 2024, o período mais recente com informações consolidadas.

Segundo o relatório, o investimento médio nas grandes cidades gira em torno de R$ 100 por habitante ao ano, enquanto o nível considerado adequado seria de aproximadamente R$ 220. Na prática, isso significa que o país aplica menos da metade do necessário, o que ajuda a explicar a lentidão na ampliação do acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto.

O diagnóstico reforça um problema estrutural. Mesmo com avanços regulatórios recentes, o ritmo de investimento segue desigual e insuficiente, especialmente nos grandes centros urbanos, onde se concentra a maior parte da população sem acesso pleno aos serviços.

Em termos internacionais, o Brasil ainda está no patamar médio da América Latina, mas distante de países desenvolvidos, que mantêm investimentos significativamente mais elevados e contínuos ao longo do tempo. Nos Estados Unidos, por exemplo, os níveis de cobertura são praticamente universalizados, resultado de décadas de aportes robustos e planejamento de longo prazo.

Embora os modelos de financiamento e gestão sejam distintos, a diferença evidencia o tamanho do desafio brasileiro, sobretudo na expansão da coleta e do tratamento de esgoto, considerados os principais gargalos do setor.

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