O Brasil possui uma ‘arma secreta’ contra choques de oferta de petróleo e combustíveis derivados, conforme publicado pela revista The Economist nesta quinta-feira (26). A publicação aponta que ‘os biocombustíveis ajudarão o país a se defender dos efeitos do conflito no Oriente Médio’, em um cenário que ‘poucos países’ estavam preparados para lidar.
A The Economist enfatiza que, durante o último meio século, o Brasil construiu a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo. O país é o segundo maior produtor de etanol e o terceiro maior de biodiesel. ‘Três quartos dos veículos leves brasileiros possuem tecnologia que lhes permite queimar desde gasolina pura até o etanol 100% fornecido pelos onipresentes postos de álcool’, destaca a revista.
A comparação entre os preços dos combustíveis no Brasil e nos Estados Unidos desde o início da guerra mostra que, enquanto a gasolina subiu 10% e o diesel 20% no Brasil, nos Estados Unidos a alta foi de 30% a 40%. A competitividade da bioenergia brasileira contribui para essa diferença e reduz a dependência do Brasil em relação aos combustíveis fósseis estrangeiros, protegendo o país da volatilidade internacional.
A publicação também menciona que o governo brasileiro estaria considerando aumentar a participação do etanol na gasolina e conceder isenção fiscal ao biodiesel. A The Economist relembra programas de governos passados, como o Proálcool e o incentivo para biodiesel de sementes, como a soja, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que fortaleceram o país nesse sentido.
“‘Poucos abraçaram os biocombustíveis com tanta veemência quanto Luiz Inácio Lula da Silva’, afirma a revista. ‘Lula vê os biocombustíveis como a solução para dois problemas. Primeiro, eles fortalecem a soberania de um país que, apesar de ser um dos maiores exportadores mundiais de petróleo bruto, ainda importa 10% da sua gasolina e 25% do seu diesel. Segundo, os biocombustíveis permitem que o Brasil reduza suas emissões de gases de efeito estufa sem alienar seus agricultores, que cultivam as matérias-primas para a produção de biocombustíveis.'”
No entanto, a publicação alerta que os biocombustíveis não conseguem eliminar todos os custos impostos pela alta dos preços do petróleo. ‘Se o etanol ficar mais barato que a gasolina e os brasileiros começarem a consumi-lo mais, o preço do etanol poderá subir’, conclui.

