A bauruense Adriana Maximino dos Santos, de 56 anos, foi eleita para a Câmara Municipal de Frankfurt, na Alemanha, com 55.946 votos. Ela inicia um mandato de 5 anos e também ocupa uma cadeira no Conselho Municipal de Imigrantes.
Adriana chegou à Alemanha em 2012 com seus dois filhos e enfrentou dificuldades financeiras, mobiliando seu apartamento com móveis encontrados nas ruas. ‘Foi complicado, porque é difícil uma mulher estrangeira, sozinha com duas crianças e não branca, fazer com que as pessoas acreditem que você vai dar conta de pagar um apartamento’, destacou.
Após concluir o doutorado em 2014, ela se tornou tradutora juramentada e fundou uma associação de direitos humanos para apoiar brasileiros na Europa. Em 2016, durante o impeachment de Dilma Rousseff, Adriana organizou a ida de um cacique para a Alemanha, o que a motivou a se engajar mais ativamente na política local.
Adriana criou a associação Abá eV em 2017, focando nos direitos humanos, intercâmbio cultural e participação política de imigrantes. ‘Temos três pilares: coesão social, educação global e apoio a povos indígenas’, explicou. A associação prioriza o público feminino, com diversos projetos voltados para mulheres.
Em 2021, Adriana foi a segunda mais votada para o Conselho de Imigrantes, onde enfrentou desafios, já que o conselho contava com 31 homens e apenas 7 mulheres. ‘Foi um desafio. Eu fui amadurecendo politicamente ali, aprendendo a discutir e a me posicionar’, recordou.
Adriana se filiou ao Partido Verde e, no final de 2025, se candidatou a vereadora, recebendo a posição 19 para a Câmara Municipal. ‘Fazer uma campanha eleitoral na Alemanha é completamente diferente do que no Brasil’, disse. Ela enfatizou a importância de educar as pessoas sobre como funciona a política.
Durante seu mandato, Adriana pretende abordar questões como a tradução de sites para imigrantes e a promoção da ‘língua de herança’ para crianças de outros países. ‘Nos próximos cinco anos eu quero ser essa voz das mulheres imigrantes e das mães solo’, afirmou.
Adriana também relatou experiências de preconceito que enfrentou, especialmente em transportes públicos e hotéis. ‘O suporte às denúncias de racismo em Frankfurt é fraco’, disse. Ela se sente preparada para iniciar seus trabalhos na Câmara Municipal, destacando que ser vereadora na Alemanha é um trabalho voluntário com ressarcimento de despesas.

