Um documento interno do Banco Regional de Brasília (BRB) revela que, na época da compra do Banco Master, a equipe técnica já estava ciente de que parte das carteiras de crédito consignado oferecidas por Daniel Vorcaro não possuía lastro.
Lastro refere-se à garantia de que o desconto do empréstimo seria autorizado diretamente do contracheque do cliente. O BRB foi contatado e aguarda manifestação sobre o assunto.
O documento foi elaborado por um grupo de trabalho do BRB, que analisou o processo de compra de operações de crédito, incluindo as do Banco Master. Ao todo, foram criados dois documentos, um em abril e outro em maio, que analisaram 1,9 milhão de contratos de 615 mil clientes, sugerindo que, em média, cada cliente tinha três contratos com o Banco Master.
Durante uma reunião em abril de 2025, a equipe do BRB informou que algumas operações cedidas não tinham averbação verificável. O documento afirma: “Foi informado pelo Banco Master que existem operações cedidas ao Banco BRB que foram adquiridas por uma ‘Associação’, e que tais contratos não são passíveis de verificação da averbação por meio de consulta assistida”.
Isso significa que, apesar de serem contratos de desconto consignado, a contrapartida, um órgão público, não tinha registro das operações, resultando em contratos sem reconhecimento para o desconto. Além disso, o grupo de trabalho identificou que o Banco Master controlava as operações de crédito em planilhas eletrônicas, limitadas em dados e sem padronização, dificultando a análise das operações vendidas.
Outras inconsistências apontadas incluíam erros no cálculo do valor a receber do Banco Master pelo BRB e parcelas vencidas sem atualização de juros e multa.


