O Plenário da Câmara Municipal de Varginha decidiu, por unanimidade, cassar o mandato do vereador Marquinho da Cooperativa durante sessão extraordinária realizada na noite de sexta-feira (27). A decisão foi baseada no relatório final da Comissão Processante, que concluiu pela procedência da denúncia por infração político-administrativa.
A comissão era composta pelos vereadores Davi Martins (presidente), Zilda Silva (relatora) e Miguel da Saúde (vogal). O vereador é suspeito de ter atropelado um jovem de 19 anos na madrugada do Réveillon, dirigir embriagado e não ter prestado socorro. Mesmo com a ausência do parlamentar investigado e de seu advogado, houve o direito de defesa. O advogado Cláudio Miranda, que estava no Plenário, foi nomeado defensor ad hoc e apresentou a defesa técnica após a leitura do processo.
O presidente da Câmara, Alexandre Prado, afirmou que o processo respeitou os prazos legais e os princípios de imparcialidade. “Esta Casa primou pelo devido processo legal, terminando os trabalhos antes do prazo de 90 dias”, declarou. Com a decisão, foi lido o Decreto Legislativo nº 14/2026, que oficializa a perda do mandato. O suplente Afonso Monticeli (Mobiliza) foi convocado e tomou posse durante a sessão, assumindo a vaga na Casa. A votação teve 15 votos favoráveis à cassação.
A denúncia foi protocolada pela vítima do atropelamento, Luiz Felipe Lisboa, na segunda-feira (5) e, em sessão extraordinária realizada na quinta-feira (8), foi aceita por unanimidade pelos 12 vereadores votantes. Durante a sessão, foram definidos os três vereadores que comporiam a Comissão Processante: Miguel da Saúde (PSD), Zilda Silva (PP) e Davi Martins (PL).
O vereador Marquinho não quis dar entrevista à imprensa. Durante a sessão, ele renunciou ao cargo de presidente da Câmara, afirmando que conversou com alguns vereadores e decidiu que seria melhor renunciar. O vereador Alexandre Prado assumirá a presidência no lugar de Marquinho.
Antes da leitura da denúncia, o vereador comunicou que fez um acordo de indenização cível de R$ 90 mil com a vítima por danos morais e estéticos. A informação foi confirmada pelo advogado da vítima, que afirmou que o acordo ainda não foi homologado, mas já está submetido ao crivo judicial.
O atropelamento ocorreu quando Luiz Felipe Lisboa voltava de uma festa na madrugada de quinta-feira (1º). O vereador foi preso em flagrante e solto no dia seguinte após pagamento de fiança de R$ 10 mil. Em entrevista, Marquinho alegou que não percebeu o atropelamento e que não fugiu do local.
Um vídeo da Polícia Militar mostra Marquinho se recusando a soprar no bafômetro. Durante a gravação, o policial ressalta que sente um hálito etílico do vereador, que negou ter consumido bebida alcoólica.

