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Celulares roubados em assaltos do tipo quebra-vidro convergem para prédio em SP

Amanda Rocha
Última atualização: 30 de março de 2026 07:37
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Celulares roubados em assaltos do tipo quebra-vidro em São Paulo são frequentemente levados para pontos específicos de receptação no centro da cidade. Esses locais são conhecidos por concentrar aparelhos furtados ou roubados que são revendidos ou desmontados.

Após uma grande operação policial há dois anos, investigações recentes identificaram um prédio na região Central de São Paulo como um dos principais polos desse comércio ilegal, sendo informalmente chamado de “ninho do celular roubado”. Apesar das ações policiais, o problema persiste.

““Todo mundo sabe para onde esses celulares vão”, afirmou um agente. “O desafio é combater toda a cadeia, principalmente quem compra e revende.””

Um exemplo é o celular de Júlia, que foi roubado em plena luz do dia na Baixada do Glicério. O assalto ocorreu numa quinta-feira, por volta das 14h40, enquanto o carro da família aguardava no trânsito, próximo a uma base da Polícia Militar.

““Eles arregaçaram o vidro do meu carro e levaram o meu celular. Foi tudo muito rápido”, contou Júlia, ainda em choque após o assalto. O marido dela, que estava no banco do passageiro, ficou ferido pelos estilhaços.”

O celular levado era a principal ferramenta de trabalho da família. Os policiais orientaram o registro de boletim de ocorrência, mas os suspeitos já haviam fugido por becos da região, e nenhum aparelho foi recuperado.

Motoristas de aplicativo também relatam viver sob tensão constante. Xênia, que dirige pelas ruas da capital, teve o carro atacado duas vezes em menos de 24 horas. “Quebraram o vidro da frente num dia e o de trás no outro. Levaram meu celular. Foram mais de R$ 2 mil de prejuízo”, afirmou.

Além de redobrar a atenção, ela e outros motoristas utilizam aplicativos de navegação para alertar, em tempo real, sobre pontos considerados perigosos. Símbolos de alerta se multiplicam nos mapas, indicando locais com registros frequentes de assaltos e quebra de vidros.

““Você tem que estar alerta o tempo inteiro”, disse Xênia. “Não me sinto segura em lugar nenhum. Só em casa, com meus filhos.””

A Secretaria de Segurança Pública iniciou uma nova operação para tentar conter esse tipo de crime, com reforço do policiamento em áreas críticas, especialmente nos horários de pico e em dias de chuva, quando os congestionamentos facilitam a fuga dos criminosos.

Especialistas afirmam que, enquanto houver mercado para celulares roubados, a prática continuará se repetindo. O “ninho do celular roubado” simboliza o ponto final de um crime que começa em segundos, no trânsito, e termina em corredores e lojas clandestinas no centro da maior cidade do país.

Para quem já foi vítima, a lembrança do assalto não desaparece.

““Sempre que passo por ali, lembro do que aconteceu”, disse Júlia. “Fica um sentimento de impotência, de ódio. Parece que não tem fim.””

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